
A proposta é simples: caminhar e permitir que o corpo se torne parte dos acontecimentos urbanos. As caminhadas cênicas não se configuram em passeios com programação pré-determinada. A intenção é apostar na surpresa da presença e integrar o corpo humano ao corpo da cidade de maneira lúdica. É tanto ocupar o espaço público e vivenciar as suas relações sociais, como também compreender a materialidade nesse mover pelas ruas, observando seus lugares para as pessoas e não apenas para a força motor. É viver o tempo subjetivo da convivência, do ser-eu e da interação com as pessoas, junto ao tempo objetivo da malha urbana. Assim, essa ação percorre ruas com olhares impregnados de reflexões provenientes dos campos da Arte, Sociologia e Geografia.
Uma flâneuse Cabeça de Flor
Lançamos as nossas caminhadas cênicas no segundo semestre de 2024, em Belo Horizonte (MG). Paralelamente às primeiras ações com lambe-lambes (BH) e adesivos (SP), surgiu a personagem flâneuse Cabeça de Flor, ainda em construção. Ela foi inspirada na ideia proposta por Charles Baudelaire sobre um caminhante observador da experiência urbana, que reflete sobre os estímulos e contrastes da cidade. Esse conceito originou o flâneur, que explora a interação do sujeito com os fluxos urbanos caóticos, tornando-a objeto de reflexão poética. Nos nossos experimentos realizados em um corpo feminino, as gravações iniciais foram registradas em vídeo e estão sendo compartilhadas no Instagram e no YouTube.